top of page

Por que é tão difícil sair de um relacionamento abusivo?

Foto do escritor: Mariana Mejan
Mariana Mejan
24 de set.
3 min de leitura

“Se ela sabe que está sofrendo, por que não termina?” Para quem vê de fora, a saída pode parecer uma decisão simples. Para a mulher que vive a relação, perceber o abuso é apenas uma parte do processo. Há sentimentos, medos, aprendizados e condições de vida que não desaparecem no momento em que ela entende o que está acontecendo.


Falar sobre essas dificuldades é importante porque o julgamento costuma recair justamente sobre quem precisa de apoio.


Mulher com fitas rosé cruzadas sobre a boca, simbolizando o silenciamento em um relacionamento abusivo.

Ela pode passar a duvidar de si mesma


A manipulação nem sempre é evidente no começo. O parceiro pode tratar o controle como cuidado, minimizar atitudes que a machucam ou dizer que ela entendeu tudo errado. Quando isso se repete, a mulher pode começar a questionar a própria percepção e pensar que, se agir de outro modo, conseguirá evitar novos conflitos.

A culpa ocupa o lugar da confiança em si mesma. Por isso, mesmo quando algo lhe parece errado, pode ser difícil sustentar essa percepção diante de alguém que insiste em negá-la.


Existe apego, e também esperança


Uma relação abusiva não é vivida como sofrimento o tempo todo. Pode haver afeto, lembranças importantes, planos compartilhados, pedidos de desculpas e promessas de mudança. A mulher pode continuar ligada à pessoa que conheceu no início da relação ou à possibilidade de que os momentos bons voltem a ser frequentes.

Essa esperança ajuda a entender por que ela pode decidir sair e, depois, reconsiderar. Não significa que não reconheça o que viveu. Significa que romper um vínculo afetivo também envolve elaborar aquilo que ela desejava que a relação fosse.


A dependência pode crescer dentro da relação


Quando a mulher se afasta de amigos, deixa de fazer coisas de que gosta ou passa a organizar sua rotina em função do parceiro, sua vida pode ficar cada vez mais restrita. A ideia de terminar, então, vem acompanhada de perguntas difíceis: “Como vou ficar sozinha? Com quem poderei contar? Será que consigo recomeçar?”

A dependência emocional não deve ser usada como rótulo para culpá-la. É preciso compreender como a relação afetou sua autonomia e sua confiança para tomar decisões.


Sair pode provocar uma falta intensa


Mesmo após o término, a mulher pode sentir saudade, vontade de procurar o parceiro e dificuldade de se adaptar à ausência dele. Algumas pessoas chamam essa experiência de “abstinência”. A palavra tenta descrever a intensidade da falta, mas não significa que o vínculo funcionou da mesma maneira para todas as mulheres.

Sentir falta de alguém não apaga as razões para se afastar. Também não significa que voltar seja a única forma de aliviar a dor. Nesse momento, ter apoio pode ajudá-la a atravessar a separação sem enfrentar tudo sozinha.


O julgamento e a falta de apoio tornam tudo mais difícil


Comentários como “eu avisei” ou “se voltou, é porque gosta” podem fazer com que a mulher sinta vergonha de contar o que acontece. Em vez de encontrar acolhimento, ela passa a temer mais uma cobrança.

Além disso, nem toda mulher tem dinheiro próprio, um lugar para morar ou pessoas disponíveis para ajudá-la. Quando há filhos e outras responsabilidades, organizar a saída pode exigir ainda mais apoio. Essas condições concretas precisam fazer parte da conversa.


O que aprendemos sobre amor também pesa


Muitas mulheres crescem ouvindo que devem cuidar da relação, compreender o parceiro, perdoar e tentar mais uma vez. Em uma sociedade marcada pelo machismo, o esforço para manter o vínculo costuma ser cobrado delas, mesmo quando são elas que estão sofrendo.

A história familiar também pode influenciar o que cada pessoa aprendeu a reconhecer como aceitável em uma relação. Ter convivido com desrespeito ou silenciamento pode dificultar a identificação de certos limites. Isso não determina o futuro de ninguém, mas ajuda a entender por que algumas experiências precisam ser nomeadas antes de poderem ser questionadas.

Não há uma única resposta para a pergunta “por que ela não sai?”. Às vezes, várias dessas dificuldades acontecem ao mesmo tempo. Em vez de cobrar uma decisão imediata, podemos oferecer escuta, acreditar no que ela conta e ajudá-la a encontrar apoio e caminhos possíveis.


Se você se reconheceu neste texto, suas dúvidas e sentimentos merecem ser ouvidos sem julgamento. A psicoterapia pode ser um espaço para compreender o que está vivendo, reconstruir a confiança em si mesma e pensar nos próximos passos a partir da sua realidade.


MARIANA MEJAN

Psicóloga Clínica Especialista em Mulheres

CRP: 06/92638

Comentários


Mariana Mejan

Psicóloga Clínica - 06/92638

  • Whatsapp
  • Instagram

Contato 

Psicóloga Mariana Mejan, especialista em escuta feminista e acolhimento emocional

​+55 (17) 99662-6989

Rua Gomes de Carvalho, 1356 - 5° Andar - Vila Olimpia - São Paulo - SP

Se tiver perguntas, entre com contato comigo:

Obrigado pelo envio!

 ©2026 por Mariana Mejan Psicóloga . Todos direitos reservados 

bottom of page
WhatsApp