Quando o Renascimento Emocional Feminino Começa em Silêncio
- Mariana Mejan

- 10 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Renascimento emocional feminino
NOTA DA AUTORA: Este é um conto. Uma ficção inspirada nas histórias reais de muitas mulheres que enfrentam relações abusivas e, aos poucos, reencontram sua própria voz. Se você
se identificar com partes desta narrativa, lembre-se: você não está sozinha.

Ela não percebeu o exato momento em que começou a desaparecer. Foi algo lento, tão silencioso, que só se deu conta quando já não reconhecia o próprio riso — aquele som livre que costumava encher seus dias com leveza.
Durante muito tempo, acreditou que era ela quem precisava ser menor. Falava baixo para não incomodar. Caminhava leve para não provocar ruídos. Engolia perguntas antes que virassem conflito. Inventava desculpas para justificar feridas que ninguém via, mas que corroíam tudo por dentro.
Um dia, enquanto arrumava a cozinha, percebeu que segurava a respiração. Como se vivesse esperando o próximo corte, a próxima crítica, o próximo movimento imprevisível.
Foi aí — simples, doméstico, quase banal, que algo nela se moveu.
Uma fresta.
Um sopro.
Um começo de retorno.
Renascimento emocional feminino
Mas, dessa vez, o silêncio não machucava. Era um espaço. Um intervalo. Um lugar onde ela começava a se ouvir de novo.
Ela percebeu que, para seguir, não precisava de coragem grandiosa. Precisava apenas de pequenos gestos de si para si: um copo d’água deixado na mesa, um banho mais demorado, uma frase anotada no caderno para lembrar que ela existia.
E, com o tempo, entendeu o que nunca lhe disseram: a libertação não acontece de uma vez. Ela chega em camadas. Em ondas. Em respiros.
E foi assim — no ritmo do próprio corpo, no tempo que seu coração conseguiu sustentar — que ela deu o passo mais importante:
Voltou para si. E encontrou ali não a mulher quebrada que ele dizia, mas uma mulher inteira, que começava enfim seu renascimento emocional feminino.
MARIANA MEJAN
Psicóloga Clínica Especialista em Mulheres
CRP: 06/92638
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